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  • Luzi Telles - Diretora

Seria maio o novo dezembro?

Por que estamos tão exaustos como se estivéssemos no fim do ano letivo?



A expectativa do início do ano letivo é sempre excitante! Este ano, com retorno total das aulas presenciais era ainda mais.


Iniciamos o ano cheio de sonhos e vontade de abraçar todo mundo, afinal o distanciamento já não era mais solicitado e as máscaras em pouco tempo iriam ser abolidas. Poderíamos ver o rosto dos alunos e os alunos o rosto dos professores, enfim!


Já nos primeiros dias as escolas sentiram que os alunos não tinham mais a rotina escolar. Não era questão de educação (ou falta dela), era realmente algo sem intenção, mas que desestabilizava a aula: assuntos fora do contexto da aula, lanche em meio a atividade, nem mesmo o material era retirado da mochila sem que o professor solicitasse.


Nos últimos dois anos nossos alunos ficaram em casa, de pijaminha, assistindo aula online, fazendo várias coisas ao mesmo tempo enquanto estavam diante da tela. Agora, chegam à classe e reproduzem essa cena.


Ninguém passou por isso antes. Ninguém estava preparado.


Por outro lado, professores, talvez também por ingenuidade, esperavam apenas dar continuidade ao processo de aprendizagem. Mas como fazer isso depois que o processo de rotina escolar fora interrompido por dois anos?


Os professores foram um dos profissionais mais expostos durante a pandemia, com famílias sentadas ao lado dos filhos assistindo sua aula, e em alguns momentos, sendo interrompidos e desautorizados até. Chegaram na escola ansiosos, aflitos e..


Ninguém passou por isso antes. Ninguém estava preparado.


E a terceira ponta deste triângulo como está? A família. Eles também tiveram que se re-readaptar. Novamente levar os filhos para escola, pegar a fila do estacionamento, fazer cumprir horários, organizar uniforme e material diariamente, além de acompanhar as atividades de casa, a sucata que a professora pediu para arte, o lanche que tem que ser saudável e fresco todos os dias e nem todos retornaram aos seus trabalhos como antes.


Agora para alguns o home office é uma realidade diária, não ter mais um (uma) ajudante em casa é mais natural e as demandas só aumentaram, pois, as reuniões podem ser online ou presenciais, o desemprego bate a porta e eles sentem-se pressionados de todos os lados.


Ninguém passou por isso antes. Ninguém estava preparado.


Mas o que podemos fazer, então?


Com certeza buscar ser, cada vez mais gentil e calmo com as pessoas, afinal ninguém está bem e somos humanos, precisamos uns dos outros.


Sempre ter claro que na escola estamos todos – equipe e famílias - firmes no mesmo propósito: o bem-estar físico e mental dos alunos, dos nossos filhos – estamos juntos mesmo e exatamente por isso, como qualquer família as decisões nem sempre agradam a todos, ou a maioria, mas as ações focam nos que mais precisam no momento.


Criemos “Espaços de Confiança” não só fora, mas dentro de nós. Tornemos a escola o lugar onde todos possam sentir-se seguros para trazer suas angústias, conquistas, alegrias, tristezas ou medos e que as mesmas pessoas que tem seu momento de oratória estejam prontas também para sua vez da “escutatória”, afinal todos precisamos ser ouvidos.




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